Livro: "Loucuras de Uma Paixão" por Maria Estela Orlandeli

Título: Loucuras de Uma Paixão

Autora: Maria Estela Orlandeli

ISBN: 978.85.7253.331-7
Ano: 2018
Editora: Petit

Gênero: Romance

Informações adicionais:
Número de páginas: 208
Tipo de diagramação: abres com o título maior e um desenho lateral
Cor das páginas: amareladas
Fonte: títulos de capítulo com serifa e caixa alta, texto sem serifa e fontes grandes
Capa: brochura fosca, com orelhas laterais


Sinopse: 
Alfredo era um jovem simples que veio para a cidade em busca de melhores oportunidades profissionais. Não contava, porém, com o sentimento que viria a nutrir por Maria Celeste, uma jovem estudante de Medicina, diante de quem se considerava um ser inferior. A paixão tomou Alfredo por completo, levando-o quase à loucura: ele seguia a jovem por todos os lugares e, diante da falta de coragem em confessar-lhe seu amor, ele se entregou à bebida. Desempregado e sem sequer o teto da modesta pensão que costumava abrigá-lo, só lhe restavam opções amargas: a própria morte, e também a de Maria Celeste, quando Alfredo descobriu que a amada se encontrava com outro homem. Triste foi o dia em que Alfredo, desnorteado, seguiu Maria Celeste, e uma tragédia aconteceu... Mas, como a Espiritualidade nunca desampara ninguém, a vida seguirá seu caminho amargo até que os corações se abrandem e nova chance seja dada aos envolvidos.

 Nota:



Resenha:

Esse foi o primeiro livro que veio pelo "Clube do Livro Boa Nova" e também do "Meu Livro Espírita" para mim. Sim, assinei dois clubes do livro e ambos vieram com o mesmo livro, é muito azar pra uma pessoa só, não?

Ambos são clubes antigos e com preços acessíveis, o primeiro sai por R$21,90 e o segundo por R$ 29,90 mensais e até aquele mês (pelo que vi nos livros anteriores) nunca havia sido escolhida a mesma obra no mesmo mês.

Além disso, ambos possuem frete grátis, pedem para que a assinatura seja feita por cartão de crédito (no primeiro caso há outros pacotes, mas no segundo apenas assinatura mensal), mas não há nenhum outro tipo de brinde, embora eu ainda ache que vale a pena pela qualidade física da obra.

Agora, deixe-me falar sobre o livro em si e explicar o motivo que me levou a dar esta nota. Mas, desde já, aviso que vou precisar dar muitos spoilers sobre a trama para explicar alguns "gatilhos" que aparecem nela e me deixaram muito decepcionada com ele, mas que também explicam detalhadamente o motivo da nota.

Fisicamente o papel é muito bom, daqueles mais amarelinhos e a fonte muito gostosa de ler. A forma como a autora escreve de início pareceu um pouco chata (nas duas primeiras páginas), mas depois semostrou bem interessante e eu li várias páginas sem nem ao menos me dar conta. No entanto, o problema está na trama mesmo.

Para começar, acho a história é um tanto quanto problemática e o final foi de um péssimo tom. Seria, a meu ver, melhor se a "sugestão de amizade" dada no decorrerá trama fosse adotada do que juntá-los como um casal ao final. E logo você entenderá o meu posicionamento, e creio que irá concordar.

Eu, como mulher, me senti péssima dos os rumos da história, mas ainda mais com certas "ideias que ela propaga". Então, mais uma vez faço o alerta de aviso de gatilho para estupro e suicídio. Pessoas que já passaram por isso ou com pensamentos suicidas devem evitar a leitura, pois além de não auxiliar muito, podem fazê-la com que se sintam ainda mais culpadas. Melhor optar por algum outro livro e evitar este, ok? Vai por mim.

A história começa com um grupo de estudos n espiritualidade (u seja, entre os desencarnados) sobre "a vida de encarnados e os desafios que ela traz para a evolução". Um espírito mais evoluído é chamado para palestrar para esse grupo e contar algo que ajude-os a entender "certos acontecimentos" por um outro "ponto de vista".

O palestrante utiliza como exemplo de sua explanação um caso específico e começa a narrar a história desse casalzinho da capa, Alfredo e Maria Cecília. Mas de "loucuras de amor" o livro não tem é nada não. Ele é praticamente sobre um homem que tem uma obsessão, amor não correspondido, que objetifica a mulher amada e a trama ainda faz um malabarismo enorme para transformar o estuprador em vítima a estuprada em vilã.

Se você leu até aqui já terá entendido a trama, então, se esse assunto não lhe faz bem, pare agora, ok? Para quem quiser seguir, será por sua conta e risco, porém não aconselhado.

Alfredo vai morar na capital após o falecimento de seu avô, no qual ele era muito apegado e única figura masculina de sua vida, já que era filho de uma mãe solo (e nunca chegamos a saber o paradeiro do pai) e acabou tendo laços muito fortes com esse senhor.

Com toda a arrogância e falta de compaixão típicas das que o machismo cria sobre a sociedade, ele não para pra pensar que a mãe, que ficará sozinha, também está sofrendo (ei ela que é filha do homem, seu mimado!) e muda de cidade para seguir sua vida e esquecer essa dolorosa perda.

Na capital, trabalhando com informática, ele acaba esbarrando (literalmente) com uma moça estudante de medicina, a Maria Cecilia, enquanto ele chegava na instituição em que ela estuda para consertar alguns computadores. Ele não chega a trocar nem uma única palavra com essa moça, mas fica obcecado por ela e começa a persegui-la de longe.

Ele decora todos os seus hábitos de vida dela, descobre onde mora e chega a se cortar para ser atendido por Maria Cecilia no Pronto Socorro em que ela é residente (embora o livro diga que é estagiária, o que acaba mostrando uma certa falta de pesquisa da autora também). Depois, ainda começa a ficar de prontidão assistindo os horários em que a moça chega e sai se casa, da escola e do serviço.

Tanta obsessão faz com que Alfredo acabe descuidado do próprio trabalho e sendo demitido, já que ele não não faz mais nada além de perseguir a moça. Na sequencia, recebe uma ordem de despejo da pensão em que mora por falta de pagamento. A atitude de Alfredo ao receber a notícia de que terá que sair do quarto é tão estranha que até o dono do local acaba guardando os pertences dele por conta própria, já que Alfredo estava bêbado e visivelmente alterado quando recebeu o ultimato.

E ele toma jeito? Liga pra mãe? Pede ajuda? Não! Não! E, não! Ele decide que a culpada disso tudo é a moça (que sequer sabe da existência dele), e por isso ele vai matá-la e se suicidar depois.

Alfredo vai pra frente da casa de Maria Cecilia, espera que ela saia, a persegue até uma construção e depois a agarra. Mas antes de matá-la decide abusar sexualmente dela, pois acha que ela arrumou um namorado e é errada por não lhe ser fiel (olha a paranoia!!) Porém, após estuprá-la, Alfredo pensa melhor e decide deixá-la na construção e parte para atentar contra a própria vida, jogando-se em frente a um caminhão na estrada.

No entanto, ele sobrevive e sua mãe vem do interior após ser avisada pelo hospital, totalmente alheia ao que o estrupício egoísta do filho fez. Ele fica em coma por um tempo, mas depois de acordar não reage e ela fica tão preocupada que quer a todo custo achar uma cura para ele. Sem muitas condições financeiras, resolve levá-lo para sua própria cidade, no hospital de lá, e acaba descobrindo um lugar chamado "Casa dos Aflitos" onde, após ser desenganada pelos médicos, apela por socorro para o filho e o acolhem.

Graças a preocupação e dedicação das pessoas do local, ele acaba sim melhorando, contrariando as expectativas dos médicos dos locais anteriores em que esteve internado. Ao recuperar-se, Alfredo confessa o que fez a mãe e ao dono do lugar, mas eles dizem que o perdoam e que no futuro ele precisará acertar as contas com a moça. Um adendo para isso, gente, essa é a pior ideia que um livro pode dar após um estupro, afinal a trama toda vai girar em torno de ele se acertar com a moça, jogando nela a culpa se não perdoá-lo. Pra piorar, ela ficou grávida do abuso e praticamente a culpam por ter vivido com a criança e ele ter sido privado disso.

Particularmente: não recomendo, a não ser que a pessoa queira muito lê-lo. E, que fique claro, a criança é sim inocente, mas nunca é culpa da vítima de abuso sexual, NUNCA! Ainda mais na forma que a própria trama conta e depois no como tentam fazer malabarismo para tentar imputar culpa nela. Não caiam nessa meninas, vocês são inocentes e não devem nada a ninguém.


Comentários

  1. Não conheço tantos clubes do livro para assinar, mas tenho muita vontade...já fui sócia da tag mas era caro para continuar...quem sabe assine algum até o final do ano, adorei sua resenha e estou seguindo o blog

    http://dailyofbooks.blogspot.com/

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Sabe, eu era doida para assinar o Tag ou o Skoob, mas eles são muito caros mesmo. Sempre gostei da ideia, mas os valores não eram nada atrativos. Eu descobri esses dois no começo de Maio, meio que por acaso, então recebi apenas um livro, mas as propostas eram bem bacanas. Eu só espero que não caiam mais repetidos ou terei que cancelar um deles. Duro que me senti muito azarada, pois não havia um único livro igual nos lançamentos deles, eu vi de outubro até abril e nenhumzinho batia, assinei e ambos escolheram o mesmo, ahahahha. Azar, não?
      Fico muito feliz que tenha gostado e já vou dar um pulo no seu blog e segui-lo também, pois amo ler resenhas. :D Muito obrigada!

      Excluir
  2. Qual é o seu endereço? Eu mesmo quero ir buscar

    ResponderExcluir

Postar um comentário